Hospitais e maternidades devem oferecer treinamentos de primeiros socorros para pais de recém-nascidos

Aos três anos a pequena Isadora se afogou com líquidos causados por um refluxo. Por sorte, alguns vizinhos prestaram os primeiros socorros à criança, e hoje, a angústia do acidente fica apenas na lembrança.

Dados da ONG Criança Segura mostram que só em 2017, setecentos e setenta e sete crianças morreram por engasgo no Brasil. Trata-se do tipo de acidente que mais mata crianças com até um ano no país.

O problema, que gera bastante aflição em pais e responsáveis, tem sido tratado com muita atenção pelo Legislativo de Criciúma. A Lei nº 7.666, aprovada ainda em 2019, já está sendo colocada em prática, obrigando hospitais e maternidades a fornecer aos pais e responsáveis de recém-nascidos, orientações e um treinamento de primeiros socorros voltados para situações de obstrução de vias aéreas.

A mãe da pequena Isadora, Caroline Bittencourt, conta que o acidente poderia ter sido evitado caso o curso tivesse sido ofertado para ela à época. “Gostei muito dessa lei porque eu acho muito importante a gente ter um preparo para essas situações, ainda mais com criança. Quando a minha menina tinha três anos ela teve uma congestão e a hora que ela foi vomitar ela se engasgou, sem a gente saber como proceder. Quem socorreu a gente, graças a Deus, foi a minha vizinha, mas se a gente tivesse o cursinho já ia saber o que fazer”, relata a mãe.

O autor da lei, vereador Zairo Casagrande, lembra que o projeto denominado “Salva Bebês” foi sugerido pelo sistema de segurança do município, formado pela Polícia Militar, Corpo de Bombeiros e SAMU (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência). “Nós juntamos médicos, pessoas da área, assessoria da Câmara de Vereadores de Criciúma, e construímos o projeto de lei que acabou por se transformar na Lei 7.666. Houve um pequeno atraso no início da aplicação da lei por conta da pandemia, mas agora, hospitais e maternidades, começam a fazer valer a lei, treinando as mamães a respeito do desengasgo do bebê”, explicou Casagrande.

Para o Capitão Arthur Júnior, do Corpo de Bombeiros Militar de Criciúma, o projeto vai ajudar a salvar a vida de muitos pequenos na cidade. “Toda informação e conhecimento da população em relação à realização de alguns procedimentos para melhoria, principalmente, nessa parte de engasgamentos, é muito importante, ainda mais se tratando de procedimentos que podem ser realizados em casa pelos próprios pais ou cuidadores”, afirmou o Capitão.

Os hospitais e maternidades deverão ainda, fixar uma cópia da lei que institui o programa na ala onde acontecem os partos para que todos os pais ou responsáveis pelos recém-nascidos tomem conhecimento do treinamento oferecido. Aceitar, receber as orientações, fica a critério dos pais. Os que aceitarem, receberão o treinamento de profissionais habilitados da unidade hospitalar.

Vale lembrar também que o Corpo de Bombeiros seguirá atuando no auxílio de pais e mães nesse tipo de emergência. “Continuamos com os telefones 193 aqui no quartel. Independente se você recebeu ou não a informação, você pode sim continuar contando com o Corpo de Bombeiros pra dar esse apoio, não somente nesse tipo de ocorrência, mas em todas as outras”, finalizou Júnior.

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