Breves reflexões sobre a diversidade nas organizações

Por Rafael Glavam

De maneira inicial, gostaria de agradecer pelo espaço cedido pelo site Bairros Criciúma, este importante veículo de informação e ação social atuante na Região Carbonífera do nosso querido Estado de Santa Catarina, que provê ao seu público informações sobre atividades, serviços e comércio não apenas para facilitar a vida cotidiana, mas, e, também, conteúdo de utilidade pública relevante e de impacto social, como, por exemplo, o funcionamento de instituições públicas, esporte, oferta de emprego, saúde, educação, cotidiano em geral, dentre outras.

Neste momento em que estamos passando por uma pandemia, convém destacar a importante cobertura oferecida pela plataforma em dois aspectos complementares e necessários entre si: as informações referentes ao Covid-19, em uma dimensão relacionada à saúde e, em outro plano, as publicações relacionadas as vagas disponíveis e as dicas para o mercado de trabalho, que, por lidarem com o sustento e parte da dignidade do ser humano e de famílias, além do aspecto comportamental e social, acabam por se relacionar com as questões de saúde emocional e física.

No mais, sinto-me honrado em poder compartilhar um pouco da minha trajetória empreendedora, de consultor empresarial e professor ao longo de um pouco mais de duas décadas. A intenção desta coluna, não será criar conceitos, discutir teses e ou teorias, mas, acima de tudo, proporcionar reflexões e dicas, além de propor ações, ferramentas, métodos e estratégias para a melhoria das pessoas no campo pessoal e profissional, além, claro, de reflexões sobre as organizações públicas e privadas e seus processos de trabalho.

Por meio de uma linguagem simples, porém, embasada na experiência prática de consultor e, fazendo uso de pesquisa científica e de publicações da carreira docente, não iremos abordar questões partidárias (partido político) e nem sectárias (religião e ou seitas). Iremos sim, juntos, por meio da troca de informações e do compartilhamento de conteúdo, trilhar a busca pela superação individual das pessoas nos aspectos pessoal e profissional, além de refletirmos sobre o papel das organizações em nossa sociedade. 

Para esta coluna de estreia, já que estamos todos preocupados com os dois aspectos de nossa realidade atual, a saúde e economia, por meio do respeito a opinião de qual você considera mais relevante e ou prioritário, vamos conversar sobre a diversidade nas organizações.

Em um primeiro ponto, o que é a diversidade?

Podemos entender com base nos dicionários que diversidade é aquilo que não é igual, qualidade daquilo que é diverso, ou seja, diferente, tem variedade. Mas, fomos no passado todos iguais em oportunidades? Aliás, já o somos no presente? E, o que o futuro nos trará neste aspecto, com base nas ações do presente?

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Infelizmente, passamos por épocas em que o talento tinha apenas uma raça e ou era pertencente apenas à uma raça definida. Com base nessa visão, mulheres eram proibidas de trabalhar, de ocupar determinados cargos, de fazer escolhas, o que entre outras atrocidades, tirou parte da dignidade destas.

Devemos lembrar que a cor da pele em tempos não tão distantes nos separou não apenas em calçadas, mas, acima de tudo, nos distanciou enquanto seres humanos. O seu ato de fé, a sua relação com a espiritualidade já foi motivo de perseguição e morte e, em certas partes do nosso planeta, ainda assim se faz. Em nome do padrão já perseguimos raças, credos, cores, gênero, escolhas partidárias, mas, afinal, o que ganhamos? Falamos em paz, mas, estimulamos a divisão social. Dissertamos sobre o amor, mas, não olhamos para o próximo. Será que evoluímos? O que podemos fazer?

Pesquisas recentes demonstram que as organizações possuem papel  essencial na diminuição do preconceito de qualquer origem e ou tipo em nossa sociedade. Ao contratarem colaboradores sem determinar um padrão único e ou definido de talento, afinal, talento é talento independente de raça, credor, cor, gênero, política, religião, dentre outras questões, estas instituições, sejam públicas e ou privadas, sinalizam para toda a sociedade que o preconceito, além de crime, é um ato de pouca inteligência, afinal, ao contratar um talento que irá melhorar os processos, produtos e serviços de seu negócio, será que importa a raça, credo, cor e ou religião que esta pessoa, em seu íntimo, traz e carrega?

Outras pesquisas recentes provam que ações inclusivas e humanas como estas de estímulo à diversidade de talentos na contratação, demonstram não apenas preocupação com a diversidade, mas, acima de tudo, respeito para com o ser humano. E, qual o resultado dessas ações são comprovados pelas pesquisas ?  Melhoria da imagem perante o público, aumento das vendas e crescimento do engajamento e moral dos colaboradores. 

Ponto essencial é que ao incentivarem a diversidade na contratação de seus colaboradores, as organizações promovem melhorias na sociedade ao demonstrarem, simultaneamente, respeito aos diversos e múltiplos seres que somos e,  também, auxiliam na inclusão social e diminuição de desigualdade social, promovendo trabalho e renda, quando tornam estas práticas comuns em suas práticas de recursos humanos.

Importante citar que não basta apenas respeitar a diversidade de talentos na contratação dos colaboradores, é essencial continuar com esta visão equitativa  e inclusiva nos processos de avaliação de desempenho e na hora de promover os colaboradores. Afinal, não basta contratar alguém e, posteriormente, não proporcionar as condições para seu aperfeiçoamento pessoal e profissional dentro da instituição.

Em 2019 o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) publicou documento chamado Síntese de Indicadores Sociais-Uma análise das condições de vida da população brasileira que pode ser acessado no link https://biblioteca.ibge.gov.br/visualizacao/livros/liv101678.pdf

Destaco uma constatação que pode ser lida ao final da página 27 que aponta dados da pesquisa em que “os homens ganhavam, em média, 27,1% mais que as mulheres”. Conforme escrito antes, não iremos tratar aqui de ideologias, defesa de classes, gêneros e ou outras, mas, apenas, de forma respeitosa, deixar uma inquietação: Será que realmente todos os homens que ocupam o mesmo cargo de mulheres e obtém remuneração maior, apresentam, de fato, desempenho melhor?

Se você enquanto gestor afirmar que sim, tiver a consciência tranquila que em sua organização é praticada a diversidade de talentos tanto na contratação como na promoção (valorização), parabéns. Caso contrário, leia a manchete de algumas pesquisas recentes “ A diversidade é alavanca de performance, aumentando, até 30 % dos lucros” e a pesquisa da McKinsey Global Institute em 95 países que descobriu que, apenas incentivando a diversidade no aspecto de inclusão de mais mulheres no mercado de trabalho, “é possível somar US$ 12 trilhões a economia global até 2025”.

Podemos perceber pelo título acima do relatório da McKinsey , que este tratou do assunto diversidade apenas no aspecto feminino, não trazendo para o debate outras inclusões necessárias , como, por exemplo, gênero,  raça, credo, cor e outras. Reflita o quão longe podemos, enquanto seres humanos, chegar com atitudes mais humanas, respeitando o diverso.

Tenha sempre em mente que a inovação não vem de máquinas, apenas de pessoas. Invista em talentos, não importa de onde venham, qual a raça, o credo, a cor, o gênero, a identidade, a religião, visão política.

Na próxima coluna, continuaremos com o assunto. Envie sua sugestão, dicas e comentários para o e-mail [email protected]

Espero que gostem da leitura. 

Ps: Nota sobre o uso dos pronomes e artigos indefinidos.

Referente ao uso dos pronomes o, a, os ,as, este texto buscou respeitar as normas da língua portuguesa sobre pronomes e artigos indefinidos. Como exemplo, em frases como já que estamos todos preocupados”, a palavra todos (pronome) não está se referindo apenas ao substantivo homens, mas, sim, ao fato de de que a palavra todos substitui o nome (ao trocar homem e mulheres por todos) em que a palavra todos seria um pronome  indefinido.

Isto porque as línguas derivadas do latim, ou neolatinas, como o português, em sua constituição acabaram por não fazer uso da forma neutra, o que faz com que o masculino plural seja constituído como forma neutra.

Desta forma, ao chegar em um local e dar bom dia ou boa tarde para todos, se está gramaticalmente correto, pois valerá para homens e mulheres, não se tratando, portanto, de forma alguma, ao menos neste texto, de desrespeito ao gênero feminino, que, aliás, é o ponto de vista defendido ao longo de toda a narrativa.

Até porque o uso constante e repetitivo de pronomes (a) e (as) ao final de cada palavra, torna o texto repetitivo e cansativo. E, claro, acredito que o respeito à diversidade vai além de apenas palavras, está no sentimento e, acima de tudo, nas atitudes.

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